Giordani foi um escritor formidável. Podem-se contar cerca de uma centena de volumes assinados, e mais de 4000 artigos de jornais e revistas. Esta abundância não esconde nenhum narcisismo intelectual. Giordani tem uma ideia elevada e moral do ofício de escrever: Ig-libri

"da vocação de escritor perdeu-se, com demasiada frequência, a consciência, e a literatura ofereceu-se várias vezes em leilão […] quem escreve edifica ou destrói almas. Daí a sua imensa responsabilidade, proporcional à sua dignidade. Escrever, por isso, é um modo de educar, de formar a consciência e alimentar o espírito: apostolado mediante o papel impresso. Este é serviço social da literatura".

Na seção Arquivo do site são descritas e relatadas as obras de Giordani, subdivididas por tipo (livros, opúsculos, antologias, traduções, etc.).

Em seguida, uma seleção de trechos escolhidos dos escritos de Igino Giordani.

Basta dizer que preciso de Ti

Recordamos a data de nascimento de Igino Giordani (24 de setembro de 1894) com alguns trechos do seu diário, escritos em anos diferentes, no dia desta comemoração.48 1 1 22

24 de setembro de 1948

Não é preciso, Senhor, que eu repita a lista das minhas necessidades, a qual é sem fim. Basta dizer que preciso de Ti.

de Igino Giordani, Diário de fogo, Cidade Nova, 1986, p. 48-49

24 de setembro de 1963

Sessenta e nove anos: meta a que cheguei sem me aperceber. Propunha-me tirar deles muitas coisas: e os frutos colhidos são diferentes dos que me propus. É evidente que eu capinava, podava, danificava: o divino Agricultor corrigia e vivificava.
E me levou ao fruto da solidão: mas como silêncio e pausa para conversar com Ele, estar com Ele. Os homens se separaram pelos motivos humanos: mas a cada separação Ele se aproximava. Agora, somos Ele e eu: o Tudo e o nada; o Amor e o amado. E o diálogo não é perturbado pelos clangores dos amigos, dos clientes... Então, se retorno entre criaturas humanas, é parar amá-las, sem desejar ser correspondido, é para servi-las sem esperar ser servido: nem ao menos pelos mais próximos por natureza e sobrenatureza: tão próximos e tão remotos! Desta forma, o que se apresentava um abandono de homens tornou-se um reencontrar Deus – e Nele estão os anjos e os santos, desde Maria até o último defunto em estado de graça. Parecia um desmoronamento e foi uma elevação ao céu. Uma libertação em vez de uma dispersão.

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A descoberta que me fez um homem novo

Vamos reviver o encontro entre Igino Giordani e Chiara Lubich, acontecido no dia 17 de setembro de 1948, através da narração que ele mesmo fez no livro autobiográfico: “Memórias de um cristão ingênuo”.48 3 2 03 effetto

A jovem falou. Eu tinha certeza de que ouviria uma propagandista sentimental de alguma utopia assistencial. E, ao invés, já nas primeiras palavras percebi algo novo. Havia um timbre inusitado naquela voz: o timbre de uma convicção profunda e segura que nascia de um sentimento sobrenatural. Por isso, de repente a minha curiosidade se despertou e um fogo dentro de mim começou a se alastrar. Quando, após meia hora, ela terminou de falar, eu estava preso numa atmosfera encantada. Era a voz que, sem que eu percebesse, tinha esperado.
Ela colocava a santidade ao alcance de todos; removia os portões que separam o mundo laical da vida mística. Colocava na praça os tesouros de um castelo no qual só poucos eram admitidos. Aproximava Deus: fazia com que o sentíssemos Pai, irmão, amigo, presente na humanidade.
Por mim, quis aprofundar a coisa: e pondo-me ao corrente da vida do Focolare da unidade – como se chamava – reconheci, naquela experiência, a atuação do desejo angustiante de são João Crisóstomo: que os leigos vivessem como monges, com exceção do celibato. Eu cultivara muito, dentro de mim, aquele desejo.
Aconteceu em mim que aqueles pedaços de cultura, justapostos, começaram a se mover e se animar, se encaixando, formando um corpo vivo, percorrido por um sangue generoso. Aconteceu que a ideia de Deus cedera o lugar ao amor de Deus, a imagem ideal ao Deus vivo. Em Chiara eu encontrara não alguém que falava de Deus, mas alguém que falava com Deus: filha que, no amor, conversava com o Pai.
Eu estava recebendo uma espécie de revelação que me produzia uma conversão nova, a qual me introduzia numa paisagem nova, infinita, entre céu e terra, me solicitando a caminhar novamente. E a cada passo, a paisagem se tornava mais atraente.

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A santidade nos torna família

ceramica2Luz de um encontro: Igino Giordani e Giulio Liverani

Padre Giancarlo Moretti, ligado por uma intensa amizade ao pe. Giulio Liverani não só pelas afinidades geradas pela pertença à mesma Terra, a Emília-Romanha, mas sobretudo porque irmanados por um mesmo ideal, nos apresenta uma das obras em cerâmica executadas por pe. Giulio.

Estamos na igreja paroquial de Vallo Torinese, um lugarejo no sopé das colinas ao norte de Turim onde confluem os Vales de Lanzo. Na passagem dos anos 1980 a 1990 do século recém-concluído, pe. Giulio Liverani realizou um intenso trabalho de produção cerâmica que tornou esplendidamente precioso o lugar da assembleia litúrgica daquela Comunidade.
Na última capela sobressai uma grande composição que leva o título de: “Os Santos caminham conosco”.
Destaca-se, à direita em baixo, clara e cativante uma figura de homem idoso, que arrasta jovens atrás de si. O semblante nos leva certamente a Igino Giordani.

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Um santo social

04 10Na verdade, todos os santos são «sociais»; isto é, serviram o próximo em Cristo ou Cristo no próximo. Não se dá santidade sem este amor traduzido em obras. Até o anacoreta que reza pela Igreja, perdido numa gruta de montanha, serve os irmãos; porque as suas orações e renúncias se transformam em graças para eles.
Mas, efetivamente, alguns santos prestaram ajuda mais diretamente à sociedade nas horas de maior sofrimento. Seguindo o exemplo de Cristo, existiram trabalhadores que serviram a sociedade, de modo especial, nas escolas, nas praças, nas missões, com assistência, instruções, ministério hospitalar, e todos os recursos da caridade. Mas, o sentimento social cristão considera mais particularmente São Francisco como seu padroeiro e protótipo: e assim em plena guerra se celebra S. Francisco de Assis, cópia do Rei da paz; quando mais escuro se faz o dia, nos voltamos para quem conheceu a perfeita alegria; isto significa que do outro lado do momento frenético, se veem as razões divinas da convivência humana: se veem e se desejam ardentemente. O Papa proclamou Francisco de Assis, e com ele, Catarina de Sena, padroeiros da Itália. Dois padroeiros dignos dela; dotados das melhores características da sua civilização, dos seus valores universais e particulares. Dois gigantes que bastam por si só para dar glória e fisionomia à Itália, onde quer que se aprendam os rudimentos da história cristã. Dois gênios, em suma, para os quais a terra deles não é longe nem estrangeira para nenhum povo. Depois dos personagens do novo testamento, o Cristianismo talvez não produziu exemplares mais perfeitos de Cristo: chamado de «um segundo Cristo», um, e considerada um espelho de Maria, a outra.
São Francisco é um daqueles Santos sobre quem pouco se diverge. Titãs como Paulo, Agostinho, Inácio suscitam diferenças de opiniões, Francisco é mais ou menos universalmente amado: a sua santidade é simpática a todos. Inclusive entre os não católicos e os próprios não cristãos, ele está como o modelo do santo. Esta veneração não é só folclore nem só nostalgia: é também instinto de conservação que reporta às fontes da sapiência eterna, ou, se se quer, da verdadeira felicidade.

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