Em viagem com Foco

GP3A partir de setembro de 2012, tem início uma nova seção quinzenal dedicada a Igino Giordani: uma viagem pela sua alma, através da seleção de algumas pérolas espirituais extraídas das suas mais profundas meditações.ig3

A seção é organizada por Gennaro Piccolo, do Centro Igino Giordani de Andria (Itália), que assim a descreve para nós:

Trata-se simplesmente de uma viagem dentro da sua grande alma de cristão doado a Deus, à Igreja e ao mundo através do Movimento dos Focolares, do qual é considerado cofundador. De vez em vez extraio dos seus escritos algumas das pérolas mais preciosas, na intuição de que elas podem falar ao homem de hoje como ao de ontem. A sabedoria de Igino pode nos ajudar, nestes tempos difíceis, a orientar a bússola na direção do que não passa e nunca passará: Deus.

96. Eu, o irmão, Deus

tappa 96Porque é amor, Deus é três pessoas, isto é, gerou uma pessoa digna e capaz do seu amor, que é infinito: gerou um Filho, ligando-se a ele com uma terceira pessoa, que é o Espírito Santo. Se Deus tivesse sido exclusivamente Força, Honra, Temor, permaneceria uma pessoa só; não teria gerado um Filho, nem suscitado uma criação. Fechar-se ia em si mesmo, não se abriria. Mas o amor cristão é trinitário: é um círculo, que postula três pontos: Pai, Filho e Espírito Santo. Eu – Irmão – Deus. Pai – Mãe – Filho.

Até mesmo o progresso civil – escreveu Aldous Huxley – é um progresso no amor. Ou seja, um progresso na direção de Deus, uma subida da terra ao céu; um esforço para dar uma alma divina à sociedade, fazendo dos seus membros partícipes da natureza divina. Na mesma medida em que se ama, se progride, isto é, se aumenta a vida, libertando-nos dos vínculos mortuários.
O mandamento «novo» está todo aqui. Muito simples, embora muito difícil.
Ora, este amor age como um fogo, que expurga a alma de todos os detritos de estorvo, e libera nele o divino, de modo que se erga como antena a captar, no universo, Deus. A santidade, assim procurada, está em proporção da capacidade de colher o Espírito do Senhor e retransmiti-lo aos homens.

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95. Natal: insondável mistério do amor

O Natal é o dia da libertação do homem: o milagre da caridade divina, do qual derivou a liberdade humana. Onde o patrão é Mamona (ou um déspota que o represente), a liberdade está em perigo e deve ser condenada. Onde otappa 95 patrão é Deus, a liberdade é o valor primeiro, pelo qual o homem está como filho de Deus. «Portanto, já não és mais escravo, mas filho» (Gl. 4, 7). Bem faz o povo em solenizar esta festa que foi e continua sendo popular. De fato, lembra o nascimento d’Aquele que veio libertar a massa para torná-la novamente povo de Deus.

Igino Giordani, «Città Nuova» n. 23-24, dezembro de 1967, pp.12-13.

O Natal é o sublime mistério do amor de um Deus, o qual amou de tal modo os homens, a ponto de se fazer homem. Como foi escrito, o mistério da Encarnação é o documento da excessiva caridade de Deus. Para, nela, abraçar a todos, Ele, nascendo numa gruta, entre cabeças de gado, se colocou por debaixo de todos: os pobres mais pobres o contemplaram abaixo da própria miséria deles.

Igino Giordani, «Città Nuova» cit., pp.12-13.

 

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92. Interromper toda guerra, desejar ardentemente a paz

tappa 92As guerras

Todas as guerras são violações da vontade de Deus, que nos fez todos irmãos e nos pôs vivendo na paz segundo uma lei de amor. Combater os irmãos com as armas significa se tornar homicidas. E o homicídio é função de Satanás, chamado justamente o Homicida, porque almeja destruir no homem a obra-prima do Criador. E, como cada mal feito ao irmão é feito indiretamente a Cristo, o homicídio não é senão um deicídio na imagem: na imagem de um homem; uma repetição da crucifixão na pessoa dos redimidos; e a guerra se torna ordinariamente, por parte de quem por capricho de conquista ou de soberba a provoca, um ataque de força contra a ordem divina: uma rebelião ao Criador”.

Igino Giordani, Il Patrono d’Italia – San Francesco oggi, Pontificia Opera per la preservazione della Fede, Roma 1955, p. 160

São Francisco e a Paz

Francisco colocou paz até mesmo entre um lobo e o povo de Gúbio: e a paz foi selada com um pacto estipulado para que as pessoas dessem de comer à fera. Muitas pessoas se tornaram ferozes como os lobos porque não têm o que comer: e um dos meios de pacificação, mais duráveis do que as derrotas bélicas, é o de nutrir as populações subnutridas. As causas profundas das guerras, sob os revestimentos mitológicos do patriotismo, do nacionalismo, do classismo e talvez da religião, estão também aqui: na miséria de algumas populações, as quais, até porque são míseras, são sobremaneira prolíficas. Um povo que tem fome, quando não pode mais, explode: assalta, rouba, mata, faz a guerra.

Igino Giordani, Il Patrono d’Italia – San Francesco oggi, cit., pp. 160-161

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93. Refletir o Céu

O momento presente

Jesus, garantindo que a Providência cuida de nós e que o Pai, como alimenta os pássaros do céu e as flores do campo, assim nutre as criaturas racionais, nos libertando da preocupação do futuro incerto, contemplado geralmente tappa 93como um abismo repleto de ciladas, alivia o espírito de uma das penas mais tormentosas, aquela pela qual o viver se torna uma agonia: um não viver; ao ponto que se está assim com o coração, projetados no futuro. A cada dia basta a sua pena: e que a cada dia baste o pão quotidiano. A vida que se vive é a do momento presente: quem nos garante o amanhã? E então não devemos nos angustiar inclusive por um amanhã que não conhecemos e que talvez não nos pertencerá. Um tal pensamento simplifica a existência e a facilita”.

Igino Giordani, Il messaggio sociale di Gesù, Città Nuova, Roma, 1966 p. 302

Os amigos de Jesus

Os amigos de Jesus são mendigos, pecadores, camponeses, doentes, pescadores, mulheres atribuladas, crianças; e também fariseus e ricos doutores de boa fé: todo o povo, enfim, com as suas classes. Ele passa no meio deles, e tem sempre uma multidão que o segue e o rodeia, invocando e aclamando, e até o protegendo de delatores e sicários, ministros dos exploradores do povo; uma multidão que exprime com a ternura gentil, pela boca de uma mulher do povo, a sua admiração agradecida: bem-aventurado o seio que te carregou! Bem-aventurado o seio de Maria, uma mulher do povo, casada com um «faber lignarius».

Igino Giordani, Il messaggio sociale di Gesù, cit. p. 326

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