Em viagem com Foco

GP3A partir de setembro de 2012, tem início uma nova seção quinzenal dedicada a Igino Giordani: uma viagem pela sua alma, através da seleção de algumas pérolas espirituais extraídas das suas mais profundas meditações.ig3

A seção é organizada por Gennaro Piccolo, do Centro Igino Giordani de Andria (Itália), que assim a descreve para nós:

Trata-se simplesmente de uma viagem dentro da sua grande alma de cristão doado a Deus, à Igreja e ao mundo através do Movimento dos Focolares, do qual é considerado cofundador. De vez em vez extraio dos seus escritos algumas das pérolas mais preciosas, na intuição de que elas podem falar ao homem de hoje como ao de ontem. A sabedoria de Igino pode nos ajudar, nestes tempos difíceis, a orientar a bússola na direção do que não passa e nunca passará: Deus.

101. Ao invés de perder tempo se odiando…

tappa 101O desamor

Nas plagas do não amor, se contempla uma atividade, talvez inconsciente, para fazer o mal. À luz do amor, se vê que também as outras potências, como a autoridade, a honra, a fidelidade, o trabalho, a liberdade não são senão modos de servir o irmão. Se amas, não roubas, não levantas falso testemunho, não praticas fornicações, honras o pai e a mãe, obedeces, trabalhas: realizas o bem. Se não amas, és induzido a se jogar na aventura, onde se jogaram os povos durante os séculos, fazendo guerras, se esfomeando; se matando sobre amontoados de ruínas, como se a existência fosse dada para produzir a inexistência. Se, ao invés de perder tempo se odiando e, afinal, a não cuidar dos outros, se se houvesse amado, ao invés de quedas de impérios, de invasões bárbaras, de lutas civis, de escombros assustadores, se se dedicaria a construir, a estudar, a perseguir o progresso científico e social: se poupariam séculos de carestias, de peste, fratricídios; si desbaratariam redutos de ignorância… A falta de amor leva a manter submissas populações inermes e a justificar o racismo e a empregar a tortura e a reinstaurar o colonialismo.

Igino Giordani, L’unico amore, Città Nuova, Roma, 1974, p. 26

Filhos de um mesmo Pai

Se colocarmos na cabeça que os negros e os amarelos são filhos do mesmo Pai, que os ama como ama a nós; que a pátria dos outros deve ser respeitada como queremos que seja respeitada a nossa, à espera de que a fraternidade universal reconheça uma única pátria; que aqueles do outro partido e de outra religião foram redimidos pelo mesmo sangue de Jesus, isto é, feitos dignos do mesmo valor infinito de redenção, não nasce mais o nacionalismo com os epinícios aos heróis que mataram mais «inimigos», não serve mais o nazismo, desafogo necrofórico de cérebros angustos (o não amor fecunda a estupidez) e os muçulmanos não invadem a Europa e os cristãos não vão mais matar irmãos por causa do Santo Sepulcro, e não haverá mais guerras santas e muito menos guerras ímpias: a vida de jovens não será lançada entre caniços e pântanos, na lama e sobre as pedras, alimento para corvos e formigas. Os jovens viverão a vida para a qual foram criados.

Igino Giordani, L’unico amore, Città Nuova, Roma, 1974, pp. 26-27

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100. Basta aquele nome: Maria

tappa 100Aos olhos de Maria

A piedade para com os fracos, os doentes, os vencidos, os sofredores, aos olhos de um pagão podia parecer fraqueza e, ao invés, aos olhos de Maria, o amor, e, portanto, a compaixão, a indulgência, a caridade heroica, a renúncia por amor ao irmão, eram gestos de força magnânima, de virtus (valor), isto é, de grandeza que ultrapassa toda medida terrena. É vil, lânguido, derrotado quem não tem piedade: quem não ajuda o irmão na necessidade, e não chora com ele, participando das suas provações. É vil quem diante do homem ferido sobre o asfalto, escapa; escapa diante dos deveres humanos e divinos. Se alguém te dá uma bofetada, e tu rápido a restituis a ele, significa que não soubeste te dominar; não tiveste a força de truncar a espiral da desumanidade; enquanto que, se te dominas, e não te vingas, realizas um ideal de força superior, que traz socialmente um benefício lá onde a vingança inicia uma sequela de malefícios.

Igino Giordani, L’unico amore, Città Nuova, Roma, 1974, p. 68

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99. A fé no amor

Deus Amor

Deus existe porque existe o amor. O amor existe porque existe Deus. Deus, de fato, é amor. Ele vive porque dá a vida. Tu respiras: portanto tens a existência física. Tu amas: portanto tens a existência espiritual. Se não amas é tappa 99 2como se não respirasses: estás morto na alma. – Mas, – dizem – Deus não se vê. – Verdade: não se vê com os olhos do corpo porque é puro espírito; se bem que, um tempo, feito homem em Cristo, tenha aparecido a um povo inteiro. Porém se contempla com os olhos do espírito, porque é amor e o amor é espírito e, como tal, se experimenta, se vive. A experiência se torna contínua pelo nosso próprio relacionamento com os homens, tornado puro. Quando se tem contato com as crianças, dos seus olhos jorra uma luz, que pertence a outras constelações. Assim, quando se aproximam apóstolos, servidores da humanidade, sacerdotes, que vivem do seu único ideal, e virgens totalmente doadas a Deus, e trabalhadores de toda categoria animados pelo senso de probidade, jorra uma outra atmosfera, por sobre o mundo material. Nela é fácil encontrar criaturas, ligadas a um amor, que é o outro amor, as quais prolongam a inocência de Maria e o sacrifício de Cristo.

Igino Giordani, L’unico amore, Città Nuova, Roma, 1974, p. 9

A noite escura

A revelação de Deus à alma se assemelha à formação com que os pais educam os filhos, usando carícias e repreensões, entre sorrisos e lágrimas. Assim faz o Eterno Pai. A intimidade com ele cresce, se cresce em nós a purificação. Nós o sentimos na proporção em que o amamos. Em tal experiência alguns místicos, no ápice das consolações, passam por fases de desolação: a noite escura. Ela aparece amiúde no período da existência em que se espera mais compreensão. E, ao invés, justamente aí o homem não entende mais – e teme não ser entendido mais. É a purificação, em cujo vértice o relacionamento se faz límpido dom divino. E disto resulta uma serenidade segura de quem convive com o Amor encarnado, da qual brota um júbilo que nem mesmo a mais rude traição terrestre turba.

Igino Giordani, L’unico amore, cit., pp. 10-11

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97. Seguindo os passos de Jesus

Os lugares do Evangelhotappa 97

Conhecer os lugares do Evangelho é um modo de se reaproximar do Evangelizador e entender mais aderentemente as alusões dos seus discursos e o ambiente geográfico e histórico em que o seu drama se desenrolou. Como reconheceu D. Piero Rossano, comentando o libro De Wolfango E. Pax “Por onde Ele passou”: «o leitor é posto em condição de se fazer contemporâneo de Jesus e de seguir passo a passo a sua vida terrena». Revê-se e se entende melhor Jerusalém, a cidade de Davi, perpétuo centro de paz e de guerra, com as vielas e as estradinhas saltitantes de multidões, como quando Jesus se misturava com o povo para libertá-lo. Escavações, ruínas, edifícios novos, templos cristãos, muralhas antigas ajudam a fazer com que se reviva a missão do Messias nos tempos de hoje. Por toda a parte os sinais das destruições bélicas e das reconstruções trabalhosas, entre as quais, não poucas feitas por pessoas vindas de longe (basta pensar nas cruzadas); e a sua variedade, com a sua sucessão, reevoca a existência do Salvador nos aspectos externos de cidade e campo, de modo que ele reaparece, não só nos acontecimentos que culminaram no Calvário, mas também na história dos séculos, os quais convalidam “o sinal de contradição”.

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